Por isso, o enfrentamento às violências de gênero, ao assédio e às discriminações não pode se limitar à elaboração de documentos ou à realização de campanhas pontuais. É necessário construir mecanismos institucionais efetivos de prevenção, acolhimento, proteção e responsabilização.
O SINASEFE-MT defende que os processos de apuração envolvendo denúncias de assédio, violência de gênero e discriminação sejam conduzidos sob a perspectiva da proteção das vítimas e do respeito à sua dignidade. Não é admissível que mulheres sejam submetidas a procedimentos que as revitimizem, que as exponham a situações de constrangimento ou que reproduzam relações de poder já presentes na violência denunciada.
Também defendemos que as comissões responsáveis pela apuração desses casos possuam composição diversa e equilibrada, com participação significativa de mulheres e de pessoas capacitadas para atuar em situações envolvendo violência de gênero, assédio moral, assédio sexual e discriminação. Não é razoável que investigações dessa natureza sejam conduzidas sem a devida sensibilidade, formação e representatividade necessárias para compreender a complexidade dessas violências.
Da mesma forma, é urgente que o IFMT implemente políticas permanentes de formação e letramento de gênero para toda a comunidade institucional, especialmente para aqueles que ocupam cargos de gestão, chefia e condução de processos administrativos. Não é possível enfrentar adequadamente a violência quando parte da própria estrutura institucional ainda não possui instrumentos para reconhecê-la.
Defendemos também a criação e o fortalecimento de mecanismos de acolhimento humanizado para estudantes e servidoras que denunciam situações de violência, assédio ou discriminação. Nenhuma vítima deve ser submetida a abordagens que reproduzam julgamentos, desconfiança ou culpabilização. A escuta institucional deve ser ética, qualificada, sigilosa e orientada pela proteção da pessoa denunciante.
Entretanto, o enfrentamento dessas situações também exige uma discussão que o IFMT ainda não realizou de forma estruturada: a construção de uma Política Institucional de Segurança voltada à proteção das pessoas.
Hoje, as discussões sobre segurança costumam concentrar-se na proteção patrimonial. Embora importante, essa perspectiva é insuficiente. A comunidade acadêmica necessita de uma política que tenha como prioridade a proteção da vida, da integridade física, da saúde mental e do bem-estar de estudantes, servidoras e servidores.
Isso envolve discutir medidas preventivas, protocolos de atuação diante de ameaças, sistemas de monitoramento adequados, rondas institucionais, canais emergenciais de comunicação, acolhimento às vítimas e mecanismos de resposta rápida diante de situações que coloquem pessoas em risco.
Não é possível pensar uma política efetiva de enfrentamento às violências, aos assédios e às discriminações sem pensar simultaneamente em uma política de segurança institucional centrada na proteção das pessoas.
O que adoece as mulheres do IFMT não é apenas a existência de assediadores ou agressores. É a insuficiência das estruturas institucionais atualmente disponíveis para prevenir violências, garantir proteção integral às vítimas e promover ações efetivas de enfrentamento e transformação dessa realidade.