Assessoria SINASEFE MT
A delegação do SINASEFE MT segue presente e atuante no 4º Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE (ENMS), realizado em Belém (PA). Neste sábado (11), os debates foram atravessados por reflexões profundas sobre cuidado, envelhecimento e os desafios da luta por direitos das mulheres na Rede Federal, reafirmando o caráter político, coletivo e transformador do encontro.
Pela manhã, a mesa “Tempo de cuidar, tempo de lutar, tempo de viver: políticas institucionais para as mulheres na Rede Federal” reuniu Amália Cardona, Guery Baute, Helena Rocha e Silvana Pineda, com mediação de Larissa Leal.
Em sua intervenção, Amália Cardona trouxe uma análise contundente sobre as desigualdades estruturais que atingem mulheres, especialmente as pessoas com deficiência. “O que é possível pensar em política institucional para mulheres no âmbito do serviço público? Podemos começar pensando no que é deficiência e como isso é pensado”, iniciou. Em tom crítico, afirmou: “O capitalismo é perverso”.
Amália também reforçou a importância da organização coletiva e do apoio entre mulheres no ambiente de trabalho. “Nós não vamos mais aceitar esse mecanismo social de pressão”, destacou. “Esse movimento de conhecer os direitos e efetivá-los não é individual, é coletivo”. Para ela, o fortalecimento da luta passa pela construção de redes de apoio entre trabalhadoras: “Se a gente não consegue fazer esse movimento, que é olhar para a companheira e entender as limitações que elas têm, a gente não vai conseguir fazer a luta coletiva”. Ao final, enfatizou o papel do sindicato: “Lugar de mulher é no sindicato, conhecendo e lutando pelos seus direitos”.
Helena Rocha abordou a invisibilização das mulheres e o etarismo nas relações de trabalho. “As mais novas não conseguem ascender na profissão porque não têm experiência, e as mais velhas não conseguem ocupar os cargos porque já passaram da idade, infelizmente”, apontou.
Já Silvana Pineda trouxe uma reflexão sobre o envelhecimento da classe trabalhadora e seus impactos na vida das mulheres, especialmente aposentadas. “O que significa o tempo das mulheres trabalhadoras?”, questionou, provocando o debate. Ela defendeu que o tema do envelhecimento seja incorporado como pauta estruturante no sindicato: “A gente merece ter um envelhecimento com qualidade” e “é necessário nos apropriarmos do conceito de envelhecimento como parte integrante da luta no nosso sindicato”.
Durante as intervenções, a professora Silvana Alencar, da seção sindical de Mato Grosso, destacou a importância do debate: “Eu sou uma mulher que tenho também minhas limitações, inclusive físicas, então é muito importante esse debate no evento”.
Jornada exaustiva, adoecimento e direitos no centro do debate
No período da tarde, a mesa “Nem precarizadas, nem exaustas: jornada, condições de trabalho e aposentadoria das mulheres na Rede Federal” reuniu Elenira Vilela, Márcia Farias de Oliveira e Sá, Priscila Ferrari e Roberta Dantas, com mediação de Luciana Penha.
Abrindo a mesa, Márcia Farias de Oliveira e Sá chamou atenção para a invisibilidade das trabalhadoras terceirizadas e o adoecimento generalizado. “Quase todas nós estamos no processo de adoecimento porque esquecemos de três coisas básicas: respirar, tomar água e dormir. O que a gente está fazendo da nossa vida?”, provocou.
A advogada Roberta Dantas trouxe exemplos concretos de violência institucional enfrentada por servidoras, evidenciando contradições jurídicas. “Vejam como é a dicotomia do direito”, afirmou. “Eu trago esses casos não para dissuadir a luta, mas para mostrar que ela existe”, completou, reforçando a importância do apoio jurídico.
A psicóloga Priscila Ferrari, do IFMT, destacou o esgotamento permanente das mulheres trabalhadoras. “Aqui estamos falando de uma realidade muito específica: somos professoras, técnicas, pesquisadoras, mas também mães, donas de casa e, muitas vezes, o pilar emocional da família. Então o trabalho das mulheres é marcado por uma dupla exploração”. Segundo ela, isso significa viver em trabalho contínuo: “A gente sofre, e mesmo cansadas a gente continua produzindo”. Em sua análise, “o sofrimento não está dentro da gente, ele é provocado pelo sistema”.
Já a professora Elenira Vilela trouxe provocações políticas importantes, relacionando patriarcado, misoginia e organização social. “A gente está falando de um Brasil que tem apenas 18% de mulheres no parlamento”, destacou. Também chamou atenção para a sobrecarga do trabalho doméstico e a necessidade de transformação estrutural: “O patriarcado ensinou aos homens que a base da vida deles é a violência, e a gente vai conseguir mudar a nossa vida quando eles mudarem”. Em tom de resistência, concluiu: “Só a luta muda a vida”.
Delegação do SINASEFE MT fortalece o debate nacional
Após as exposições, cerca de 30 representantes de seções sindicais de todo o país realizaram intervenções. Entre elas, as falas das sindicalizadas do SINASEFE MT reforçaram o papel da entidade na formação política e na construção da luta feminista.
Quezia Pereira destacou a importância do sindicato em sua trajetória: “Foi o sindicato que me abriu os olhos para a luta trabalhadora, para o feminismo e para o movimento LGBT. Antes do sindicato eu era meio alienada, e com o sindicato vim para a luta”. Ela também ressaltou o reconhecimento do esgotamento coletivo: “Foi a partir dos encontros que vim entender a luta das mulheres, que estamos esgotadas. Antes eu não tinha ideia que eu estava esgotada”.
Já Fernanda Silva enfatizou o impacto político do encontro: “Esses dias foram instigantes para mim e me provocaram bastante inquietação”. Ela também levantou um questionamento fundamental para o movimento: “Como as seções sindicais estão traçando suas estratégias de luta nas suas bases?”.
A participação do SINASEFE MT no 4º ENMS com sua delegação de 15 mulheres reafirma o compromisso da seção sindical com a construção coletiva, feminista e classista, fortalecendo a luta das mulheres trabalhadoras da educação em todo o país.