Assessoria SINASEFE MT
O segundo dia do 4º Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE, realizado em Belém, reuniu cerca de 500 mulheres e 70 crianças em uma intensa programação de debates políticos e troca de experiências. A abertura da manhã foi marcada pela mesa “Paridade, poder e interseccionalidade: pluralidade de mulheres na disputa dos espaços de decisão”, com a participação de Andréa Moraes, Teresa Bahia, Vivi Reis e Wellingta Macêdo, sob mediação de Fernanda Rosá.
Em sua intervenção, Andréa Moraes ressaltou a centralidade da interseccionalidade no debate feminista. “Falar da mulher negra é falar de interseccionalidade”, afirmou, ao criticar a ideia de um feminismo universal. Segundo ela, “não existe uma categoria universal de mulher”, destacando que as experiências femininas são diversas e construídas historicamente nas lutas sociais.
Teresa Bahia trouxe para o debate questões concretas do cotidiano das mulheres trabalhadoras, abordando desde o assédio institucional até os desafios enfrentados nos ambientes de trabalho. Defendeu a necessidade de enfrentamento direto dessas violências e reforçou o papel da organização coletiva. “A gente precisa combater o assédio institucional”, afirmou. Para ela, mesmo com alta qualificação acadêmica, muitas mulheres seguem sendo deslegitimadas dentro das instituições. Teresa também destacou a importância de fortalecer os núcleos de gênero e implementar políticas efetivas de combate ao assédio na Rede Federal.
A deputada federal Vivi Reis enfatizou a necessidade de ampliar a presença de mulheres na política com compromisso programático. “Não adianta ser mulher e não defender um projeto político”, afirmou, ao criticar práticas que afastam mulheres dos espaços de poder. Para ela, é fundamental enfrentar o machismo presente nos sindicatos, partidos e instituições. “O que queremos não é apenas mais mulheres nos espaços de poder, mas um projeto feminista, antifascista e antirracista, que respeite a diversidade das mulheres”, defendeu.
Ainda no período da manhã, ocorreram intervenções das delegadas, com falas de até três minutos representando suas seções sindicais. Entre elas, destacou-se a intervenção da coordenadora-geral do SINASEFE MT, Andreia Iocca, que trouxe a realidade de Mato Grosso para o centro do debate.
Andreia chamou atenção para os limites da paridade meramente numérica. Segundo ela, a presença de mulheres em cargos de gestão não garante, por si só, compromisso com as pautas feministas. “Não basta estar nos espaços de decisão. Que mulheres são essas?”, questionou. Ela também denunciou o isolamento, a sobrecarga e a violência política de gênero enfrentadas por mulheres que atuam nesses espaços, além da fragmentação interna provocada pelo patriarcado. “Precisamos estar unidas para conseguir avançar e ocupar, de fato, os espaços de poder”, concluiu.
Entre o silenciamento e o adoecimento: saúde mental e violência institucional em pauta
No período da tarde, a mesa “Entre o silenciamento e o adoecimento: violência institucional, saúde mental e a construção de respostas coletivas na Rede Federal” aprofundou o debate sobre as consequências do ambiente de trabalho na vida das mulheres.
Participaram como expositoras Ana Quézia Carneiro, Ana Patricia Fernandez, Arielly Ribeiro e Geovanna Borges, com mediação de Márcia Amado.
Ana Patricia Fernandez resgatou a trajetória histórica do feminismo para evidenciar como o silenciamento das mulheres é estrutural. Ao dialogar com pensadoras como Simone de Beauvoir, Olympe de Gouges e Mary Wollstonecraft, destacou a resistência histórica das mulheres como elemento central para enfrentar as opressões contemporâneas.
Geovanna Borges trouxe sua vivência como mulher trans para evidenciar como os processos de adoecimento são atravessados por múltiplas violências, reforçando a urgência de políticas institucionais inclusivas. "Eu me coloco à disposição para fazer esse trabalho de sensibilização que eu já fiz" reforçou ao final de sua fala.
Já Ana Quézia Carneiro compartilhou sua experiência como trabalhadora da Rede Federal e psicóloga, relatando o impacto do trabalho no adoecimento psíquico. “Todas nós estamos suscetíveis ao adoecimento”, afirmou. Ela provocou uma reflexão coletiva: “O que temos feito umas com as outras dentro das instituições?”. Para ela, é fundamental fortalecer redes de apoio entre mulheres diante de um ambiente que frequentemente produz sofrimento.
Na rodada de intervenções, Gabriela Borges, da delegação do SINASEFE MT, destacou a importância de dar visibilidade à pauta trans e reforçou a necessidade de formação política para mulheres que ocupam espaços de direção sindical. “Muitas vezes, as mulheres são colocadas apenas para cumprir a paridade, mas sem formação política acabam reproduzindo o machismo”, alertou. Ela defendeu que as gestões sindicais assumam como prioridade a formação política das mulheres. Gabriela também reforçou a importância do espaço e diálogo sobre inclusão e luta por direitos, como mencionado na fala de Geovanna.
Delegação do SINASEFE-MT marca presença no encontro
O encontro conta com a participação da delegação do SINASEFE Seção Sindical Mato Grosso, composta por 15 mulheres, que atuam no fortalecimento do debate sobre paridade, pluralidade e os desafios da luta sindical.
Integram a delegação: Silvana de Alencar Silva, Jade Auxiliadora de Amorim, Fernanda Oliveira Silva, Quézia Pereira Borges da Costa, Bruna da Costa Pereira, Reicla Larissa Schmidt Villela, Ana Paula Copetti Bohrer, Natalícia Julia Marques, Jussara Edna Meira da Silva, Mércia Maria Castro, Noemi dos Reis Corrêa, Andreia Fernanda Silva Iocca e Gabriela Borges Barbosa. Também participam como apoio a secretária da seção, Taciane Souza Leite Vieira, e a jornalista Bruna Obadowski.
Após as mesas, participantes de diversas regiões do país apresentaram contribuições ao debate e acompanharam um vídeo de saudação enviado por Maria da Penha. O 4º Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE segue até domingo (12), aprofundando discussões sobre paridade, interseccionalidade, saúde mental, condições de trabalho e políticas para as mulheres.
Próximas atividades
Sábado (11/04)
9h às 12h – Tempo de cuidar, tempo de lutar, tempo de viver: políticas institucionais para as mulheres
14h às 18h – Nem precarizadas, nem exaustas: jornada, condições de trabalho e aposentadoria
Domingo (12/04)
10h às 13h – Vivas, livres e plurais: encaminhamentos
13h às 18h – Imersão cultural